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Jovens Online em Cristo

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Tríduo de Natal Jovem 2011 (regional Sul 1)

Tríduo de Natal Jovem 2011

Em
nossa prática cotidiana podemos dizer que agimos movidos, animados por
duas forças complementares, conjugadas: a força da experiência que
empurra, porque só agimos a partir daquilo que experimentamos e a força
da utopia que puxa, porque é preciso que algo ou alguém nos convide, nos
interprete, nos mova e desinstale a caminhar para frente e a modificar
tanto a realidade quanto a nós mesmos. Este alguém é o outro, é o novo, é
a esperança.

Ser
e viver profundamente, com sentido e qualidade humana, exige de nós
cabeça e coração. É coisa para teimosos. Para gente que busca o que é
bom e belo. A espiritualidade nos leva a fazer perguntas e encontrar
novas respostas. Por isso, em cada época, em cada situação, é preciso
redescobrir a espiritualidade. Pois também nossas práticas e nossas
convicções sofrem mudanças, interrogações, crises cotidianas.

A
espiritualidade é também uma caminhada, na qual vamos fazendo uma
experiência de Deus, através do contato íntimo com Ele, na oração, na
experiência de fraternidade, na solidariedade com os mais sofridos,
através do compromisso de transformação na sociedade. Isto só pode
acontecer se tivermos alguns mecanismos essenciais que alimentem a nossa
vida de fé tais como: um trabalho na comunidade eclesial ou um grupo de
base na qual possamos fazer, ocasionalmente, a partilha de vida. O
importante é que alimentemos a nossa vida de fé, para que ela não seque
como a grama sem orvalho.

Este
Tríduo de Natal vem nos ajudar a enxergar a espiritualidade no sentido
de nascimento e vida, onde a humanidade acolhe o Cristo, reveste-se de
simplicidade à luz de uma família de periferia e inspira-nos a vivência
de valores: acolhida,confiança e simplicidade.
Que o percurso até Belém, ao encontro com o Menino Jesus, seja cultivado e se transforme em atitudes em nossa realidade.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Papel da Bíblia nos Grupos de Base‏

O Papel da Bíblia nos Grupos de Base


O texto abaixo foi escrito, originalmente, para o blog do meu amigo Rogério de Oliveira. Seu site tem sido de grande valia para a PJ (Pastoral da Juventude – ICAR). Amigo Rogério, estou (re)disponibilizando este material porque, a meu ver, dialoga com a sua recente postagem: PJ não reza. Falamos em PJ porque é o chão comum a mim e ao Rogério, mas tenho certeza de que grupos de base de outras denominações poderão aproveitar estas reflexões. Vamos a elas?



LER PRA QUÊ?



De tudo o que passarei a discorrer agora, guarde principalmente isto: ler a Bíblia é comprometer-se. Não é que as outras coisas não tenham importância, mas tenho pressa de chegar ao que realmente interessa. Além disso, é como diz aquela canção sobre o profeta: “Tenho que gritar! Ai de mim, se não o faço!”



Irrita-me o falso zelo pela Bíblia. Dizem por aí que ela é a Palavra de Deus, que devemos reverenciá-la, que nela se encerra toda a Verdade etc. Mas o que vejo em nossos grupos é a sua leitura, muitas vezes, servindo apenas para iniciar as reuniões. Pensa-se garantir, assim, um momento de espiritualidade para introduzir os temas que “realmente interessam”. Em vez de colocá-la no centro das reflexões, servindo como um norte, um guia, fazem dela um “aperitivo a ser servido antes do prato principal”. Ignora-se, com isso, seu verdadeiro papel: iluminar as situações do dia-a-dia, especialmente aquelas onde a vida do povo encontra-se oprimida.



Ler a Bíblia deve transformar-nos. Caso contrário, não estamos lendo a Palavra de Deus. Claro, para que isso aconteça, muito depende da nossa abertura ao texto. Se nossa atitude não é de escuta, nada assimilaremos do que está diante de nossos olhos. Mas vejamos o que diz o profeta Isaías: “A palavra que sai de minha boca não volta para mim sem efeito, sem ter realizado o que eu quero e sem ter cumprido com sucesso a missão para a qual eu a mandei” (Is 55,11). A verdadeira Palavra de Deus incomoda, inquieta, desinstala, faz pensar e faz agir.



Esse incômodo, esse compromisso não é com qualquer causa. Segundo Jesus:“nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino do Céu” (Mt 7,21a). É comum que, para abafar o chamado de Javé, alguns trechos das Escrituras sejam relativizados. Assim acontece com afirmações categóricas de Jesus como: “Vá, venda tudo o que tem, dê o dinheiro aos pobres, depois venha e me siga” (Mt 19,21). Alguns dizem que, aqui, Jesus refere-se às riqueza e pobreza espirituais. Dentro dessa lógica, qual a explicação para “dê o dinheiro aos pobres”? Alguém me disse, certa feita: “Se te chamam para falar a um grupo de banqueiros, vai... é tua missão! Se te chamam uma segunda vez... repense a missão!” O Cristo diz de outra forma: “Onde estiver teu tesouro, aí estará o teu coração” (Mt 6,21). O Reino é promessa de vida abundante para todas e para todos (Jo 10,10). Logo, o compromisso do Evangelho é com aquelas e aqueles que ainda não têm vida em plenitude, ou seja, os pobres.



Nos tempos bíblicos, os pobres eram representados por alguns grupos: leprosos, viúvas, órfãos, estrangeiros etc. A maior parte dos profetas diz que o louvor agradável a Javé é defender a causa desses grupos (veja, por ex., Is 1,10-11.17). Em Naim, Jesus vê uma viúva ficar “órfã” do filho. Naqueles tempos, ser mulher não era muito fácil. Sem um marido, então... Agora, imaginem uma viúva sem filhos homens para ampará-la. Compadecido pela situação, Jesus restitui a vida ao rapaz (Lc 7,11-17). Só isso já é suficiente para percebermos que nosso Deus toma partido, isto é, mesmo amando a todas e a todos, indiscriminadamente, Ele fica do lado dos que mais sofrem, como que a denunciar: “Olha, pessoal... Essas irmãs e irmãos aqui precisam de um pouquinho mais de dignidade.”



Os fatos são evidentes. Entretanto, há grupos exímios em distorcer os textos bíblicos. Por exemplo, em relação à Cruz! Para eles, qualquer sofrimento é um Calvário. Com isso, alegam estar seguindo a Cristo. “Esquecem” (muito convenientemente) os motivos que O levaram à crucifixão. Basta qualquer atrito, seja por um cargo ou função dentro do grupo ou comunidade, seja pelo “horário nobre” da missa (isto é, o horário onde a missa é mais frequentada), seja por causa da organização do bingo ou quermesse paroquial, e pronto: “Esta é a minha provação; estou sendo perseguida/o, assim como Jesus”. Alguns até batem no peito e citam as Escrituras de cor: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim” (Mt 10,38). Mas Jesus não morreu por um cargo na Igreja. Ele foi assassinado! E o motivo da barbárie é muito simples: alguém não gostou que o Messias defendesse a vida do povo.



Os pseudos-cristãos, isto é, aqueles que não se comprometem com nada nem ninguém, a não ser consigo mesmos, estão em toda parte. Ministrei, já faz um bom tempo, um curso de liderança. Lá pelas tantas, o grupo deveria responder a duas perguntas: 1) “Qual a maior dificuldade do seu bairro, grupo ou comunidade?”; 2) “Indique com gestos concretos como solucionar este problema?”.As respostas foram as seguintes: 1) “Problema: esgoto a céu aberto”; 2) “Solução: fazer uma tarde de louvor”. Mais recentemente, trabalhando o mesmo curso, alguém me disse: “Não quero discutir a situação dos carroceiros; quero discutir o meu grupo”. Fica evidente que alguns grupos usam o espaço da Igreja para auto-promoção. Dizem ser fiéis a Jesus, mas estão preocupados única e exclusivamente com a própria “salvação”.



O Messias também teve que enfrentar o “corpo mole” de alguns grupos para os quais falava. Mas Ele não entrava no jogo. Sua reação era enérgica: “Não pensem que eu vim trazer paz à terra; eu não vim trazer a paz, e sim a espada. De fato, eu vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares. Quem ama seu pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem procura conservar a própria vida, vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mt 10,34-39). Diante disso, como afirmar-se cristão e manter-se, ainda, alheio aos problemas à nossa volta?



O Evangelho diz: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem” (Lc 3,11). Ele não diz “olhe primeiro se o ‘vagabundo’ merece a túnica”, nem “fique com a melhor e dê a rasgada pra ele”, nem “dê aquela que está sobrando”. O ensinamento é simples e radical: partilhe. Por que, então, tanta resistência em ajudar (aliás... ajudar não: restituir a dignidade!) aos mais necessitados?



Que a Bíblia tome seu verdadeiro espaço em nossos grupos. Que nossas ações sejam pautadas pelos ensinamentos de Jesus. Que a nossa prática seja sempre inclusiva. E, por fim, que a partir da Bíblia busquemos incessantemente promover/defender a vida, principalmente onde ela é mais ferida, pois é isso que Cristo quer de nós. Amém!!!
Possato Jr

http://opedaletra.blogspot.com/2011/12/o-papel-da-biblia-nos-grupos-de-base.html

Novos paradigmas na religiosidade juvenil



Novos paradigmas na religiosidade juvenil

     Antes de tudo, precisamos perceber que a religiosidade juvenil tem mudado frequentemente. Diante disso, partimos, aqui, de uma visão ampla da religiosidade que permeia o mundo juvenil, que contribui para sua transcendência. Destacamos a importância da religião na vida do jovem, o cultivo de sua religiosidade e a sua relação com o sagrado.

     A fase juvenil é a que mais sente o impacto das mudanças atuais, pois o jovem está em constante transformação e em busca de querer ser o melhor em tudo que faz e, consequentemente, a sociedade lucra com isto. Ao contrário, as peças publicitárias dirigidas à juventude, em suma, colocam o jovem como um mero observador e consumidor de tudo. Temos um jovem que une a sensação de triunfo da modernidade avançada e o desejo de fruição da vida. Como afirma o padre jesuíta João Batista Libânio, o jovem “vê o mundo como um gigante video-game colorido. Está sempre a jogar e ansioso por ganhar. Não sabe perder. Nasceu para triunfar”.
Formas de religiosidade

     Percebemos a manifestação, de uma maneira silenciosa, das angústias, indagações, do desejo de responder às suas inquietações como também o de ser reconhecido pela sociedade. Mesmo que para isso abdique de alguns ou muitos valores éticos, morais, religiosos, recebidos pela família, escola e a própria comunidade religiosa.

     De mudança em mudança, de tempo em tempo, temos uma juventude carregada de responsabilidade diante da vida (estudo, trabalho, lazer, consumo, entre outras). Mas será que há um espaço para o sagrado? Como se configura a sua religiosidade, hoje?

     Há na sociedade uma espécie de selfservice diversificado e atraente, que convida o jovem a experimentar várias religiões, fazendo com que ele consuma apenas o que lhe parece significativo e que atenda às necessidades imediatas. Forma assim uma identidade religiosa sincrética. O ser humano busca sacralizar objetos, lugares e diversos outros elementos, como uma espécie de homenagem e gratidão e, ao mesmo tempo, para que o transcendente seja lembrado e adorado. Procura, através de amuletos, estrelas, duendes, imagens de anjos e santos resolver os problemas pessoais de forma rápida, dando um sentido à sua vida.

     Trazendo em sua história pessoal a identidade religiosa familiar, o jovem, muitas vezes, questiona as regras de instituições como a família, a escola e a igreja. Justamente as instituições em que ele mais confia e que mais respeita. Não satisfeito com sua tradição religiosa, procura outras que atendam às suas necessidades existenciais.

     Essa necessidade de busca pela divindade faz com que criemos imagens desse ser que julgamos superior a todos os outros seres. Não criamos apenas imagens, mas práticas religiosas que acreditamos serem os meios de nos manter diretamente ligados ao transcendente. Temos então, por um lado, uma juventude que acredita ser a religião importante e que com ela se chega mais fácil ao transcendente e, portanto, participam das missas, cultos, eventos de igrejas, grupos de jovens. Encontramos também jovens que acreditam em Deus, porém não seguem nenhuma tradição religiosa.

     Segundo as Diretrizes Nacionais da Pastoral Juvenil Marista - 2006, há outros elementos relevantes sobre a religiosidade juvenil: “As religiões são fontes de sentido e colaboram de forma decisiva na constituição de sua identidade e de sua visão de mundo; as igrejas possibilitam a reunião de jovens em grupos, constituindo lugares de agregação social e de exercício da cidadania. Muitos jovens saídos desses grupos religiosos têm colaborado de forma decisiva para a sociedade, inserindo-se em partidos políticos, sindicatos, movimentos sociais e associações”.

     Contudo não podemos fechar os olhos diante de outra realidade. Há uma pluralidade quanto ao universo religioso juvenil e isto nos desafia a compreender este cenário e descobrir ações pedagógicas e pastorais a fim de contribuir com o jovem na busca de seu ser humano e, sobretudo, o ser divino.
Sugestões de Leitura:

CNBB. Evangelização da Juventude: desafios e perspectivas pastorais. Editora Paulinas.
Novaes , Regina. Juventude, percepções comportamentos: a religião faz a diferença? In: Retratos da Juventude Brasileira. Editora Fundação Perseu Abramo.
LIBÂNIO. J. B. Jovens em tempo de pósmodernidade: considerações socioculturais e pastorais. Edições Loyola.

Questões para Debate

1 - Os jovens, entre nós, têm fé em Deus? Como manifestam isso?
2 - Por que os jovens, em geral, não simpatizam com as formas tradicionais de manifestação da religiosidade?
3 - Qual é o sentido da fé para os jovens?

Sandra Michelluzzi Biazotto,
professora de Ensino Religioso no Colégio Marista São Luís, de Jaraguá do Sul, SC.
Endereço eletrônico: zmbiazotto@yahoo.com.br

Texto publicado no jornal Mundo Jovem, edição nº 405, abril de 2010, página 21.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PJ não reza

Sabe aquelas histórias sobre a PJ que vira e mexe a gente gasta um tempo enorme para desmentir? Se eu lhe oferecer a chance de pensar em três destas histórias, certamente uma delas será “a PJ não reza” ou “a PJ não tem espiritualidade”, não é verdade?

Este caso chega a ser repetido por tantas e diferentes pessoas, que acaba se tornando parte da mitologia pejoteira: um grupo de histórias fantásticas e/ou fantasiosas que servem para explicar ou justificar para um grupo de pessoas porque a PJ é do jeito que é.

Quem acompanha este blog sabe que eu defendo a espiritualidade pejoteira como uma das marcas fortes de nossa identidade pastoral. E se esta é uma das características marcantes do nosso jeito de ser, é claro que este mito de que a PJ não reza é algo que nos foi atribuído e que muita gente repete por aí, mas não é algo que faça parte de nossas características.

E como é que nós rezamos? Nossa espiritualidade tem características bem definidas: ela é centrada na pessoa de Jesus e na sua missão, parte sempre de nossa realidade concreta e leva sempre a uma transformação pessoal, grupal e social.

Mas se a nossa espiritualidade é tão bem definida, como podem algumas pessoas dizer que a PJ não reza? Porque na cabeça de algumas pessoas, oração é algo extremamente individualista, que é cercado de mistério e que celebra uma relação vertical (entre a pessoa e Deus) e deixa de lado a relação horizontal (entre as pessoas).

Há também aqueles que apontam para a espiritualidade como algo que esteja desligado das coisas da vida cotidiana. Herdeiros de um platonismo mal explicado, acham que só valem mesmo a pena as “coisas do alto” e que as “coisas do mundo” só servem para nos corromper.

Por fim, entre os que acham que a PJ não reza há também aqueles que despiram Jesus de sua vida e de sua proposta. Para estes, Jesus é o maior dos milagreiros, quase um super mágico. E quase ignoram o que venha a ser Reino de Deus, quase sempre associado ao prêmio da vida após a morte para aqueles que se sacrificaram durante esta vida mundana, seguindo ao pé da letra regras e preceitos.

Então, se é assim, é fácil ter uma espiritualidade pejoteira, não é?. Infelizmente isto não é verdade. Eu já pude presenciar muitos lugares em que, de fato, a PJ não reza. E isso normalmente acontece porque não se faz a integração fé e vida de forma harmônica.

Já fui em tantas reuniões e encontros em que as pessoas simplesmente não param um minutinho para uma reflexão em torno dos mistérios da vida e da fé que nos motiva a seguir adiante. E tantas outras em que havia no cronograma o momento da “espiritualidade”, mas que estes eram momentos de discursos chatos que só falavam e falavam, mas não mexiam, provocavam ou motivavam as pessoas. Há pejoteiro que confunde oração com formação e despeja sobre os demais sua boa (ou má) oratória.

Há pejoteiro que descuida ou que acha pouco importante a oração pessoal. Para eles, bons mesmo são os momentos em que ele reza com o grupo. Claro que estes são momentos importantes, mas não se pode abrir mão do momento de rezar sozinho. Se você é capaz de guardar cinco minutos diários para estar em sintonia com a sua própria vida, com a vida dos seus irmãos, amigos, familiares, conhecidos, pedir a Deus por eles, pedir paciência para lidar com suas relações, agradecer os momentos vividos e, como dizia o padre Zezinho, pedir a sabedoria para dizer “a palavra certa, na hora certa e do jeito certo e para a pessoa certa”, você já fez grande coisa. Isto também é alimentar diariamente sua espiritualidade.

É claro que estes momentos não substituem as orações em grupo ou a celebração eucarística de sua comunidade. Todas elas têm sua importância e nenhuma delas toma o lugar da outra. A PJ tem como característica enriquecer os momentos de espiritualidade em grupo com elementos que saltam aos sentidos. Há muita cor, luzes e sombras, cheiros e sabores, vida e história, sonhos e desafios, toques e movimento, música e dança, símbolos e significados presentes nestas celebrações e orações. Este é um diferencial. E isto é muito importante. Basta ver, como exemplo, o uso da Leitura Orante da Bíblia ou do Ofício Divino da Juventude.

A PJ reza? Claro que reza! Que pergunta! Mas é preciso estarmos atentos sobre o valor que damos a estes momentos e como eles são conduzidos. Momentos de espiritualidade não são “blocos” a serem preenchidos num cronograma de reunião ou encontro, mas sim elementos fundamentais para fortalecimento da nossa identidade e da nossa missão.

Rogério - Pejotando


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Advendo e Juventude

Advendo e Juventude




O Advento é o tempo da cor Roxa no ano litúrgico. O Advento marca o período de preparação da chegada do menino Jesus. O Termo advento que se origina da palavra latina advenire, que quer dizer chegar. Advento é período de espera d’Aquele que há de vir. Pelo Advento nos organizamos para festejar o Senhor que veio que vem e que virá. A chegada do Messias que foi anunciado pelos mais variados Profetas do Antigo Testamento. “Aquele que chega” para anunciar um tempo de novidades a todos os povos, principalmente (exclusivamente) aos Pobres. A história do Povo de Deus, dos escolhidos, é a historia de um povo que se coloca a caminho. Um caminho percorrido por muitos anos, gerações e gerações caminharam e foram: escravos, reis, nobres, andarilhos, fieis, incrédulos, santos e profetas.

Mateus mostra estas gerações de caminhantes a partir da geração de Jesus. “livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.2 A Abraão nasceu Isaque; a Isaque nasceu Jacó; a Jacó... 15 a Eliúde nasceu Eleazar; a Eleazar nasceu Matã; a Matã nasceu Jacó; 16 e a Jacó nasceu José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama Cristo.” Jesus nasce de um povo, da mesma forma que foi anunciado Jesus “chega” em uma família humana, com uma historia é filho de Maria e de José. Jesus “chega” ao mundo, como feito homem. O local escolhido, mesmo que Jesus aparece como descendente da linhagem do Rei Davi, Jesus “chega” como pobre entre os pobres. Uma gruta, manjedoura, canto abandonado... Talvez um local um tanto quanto desprezível para a “chegada” do Libertador. Não, era o local perfeito, pois ele vem “Para anunciar boas novas aos pobres; para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos.”Lucas 4:18 Eis que ele nasce ali, naquele local de pobres em meio aos pobres.

Chegando ao inicio de um novo ano litúrgico em nossa tradição, inicio tem tudo a ver com “chegar” com advento com natal, com nascimento, com Jesus. Este “chegar” não é um fim, pois é o inicio de um ano litúrgico, ("Liturgia", em grego, formado pelas raízes leit- (de "laós", povo) e -urgía (trabalho, ofício) significa serviço ou trabalho público) é o inicio de nosso ano de um serviço, não qualquer serviço, é o serviço ao criador, e em imediato serviço aos irmãos. Pois na liturgia o ponto alto, é a Eucaristia (Ação de graças, sacramento que, contém real e substancialmente o corpo, o sangue, a alma e a Divindade de Jesus Cristo sob as espécies de pão e de vinho). Em outras palavras é o banquete onde Cristo se fez alimento para todos/as.

Entrando neste tempo de graça que se espera a “chegada” de Jesus, somos convidados a acalmar nosso ser e pensar(rezar) este Tempo. Deus Vem, não estamos meditando ou celebrando o Deus que veio(passado), mas estamos iniciando o tempo da “chegada”, pois, Deus Vem. Nos diz o Papa Bento XV em artigo meditação do advento “«Desperta! Recorda que Deus vem! Não veio ontem, nem virá amanhã, mas hoje, agora! O único verdadeiro Deus, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó não é um Deus que está no céu, desinteressando-se de nós e de nossa história, mas é o Deus-que-vem»” É o Deus que vem... Desta forma temos a certeza que o nosso Deus-que-Vem é um Deus que se encarna em nossa opressão, que caminha com todos os povos, principalmente os pobres. Bento XVI ainda nos diz que: “O Advento é mais adequado que nunca para converter-se em um tempo vivido em comunhão com todos aqueles -- e graças a Deus são muitos -- que esperam um mundo mais justo e fraterno. Este compromisso pela justiça pode unir em certo sentido os homens de qualquer nacionalidade e cultura, crentes e não crentes. Todos, de fato, estão animados por um anseio, ainda que diferente por suas motivações, de um futuro de justiça e de paz.”

Advento tempo da “chegada”, um tempo de anunciação. Um tempo de reflexão e caminhada. É tempo de partir como fizeram os Reis magos guiados pela estrela. Se nosso Deus é um Deus em movimento, um Deus-que-Vem que chega, nosso Deus é um Deus caminhante. Deus que vem e que caminha com e para os pobres.

Somos convidados neste tempo de Chegada a meditar a vida da Juventude. Logo após a “chegada” de Deus-Menino o sistema se sentido ameaçado pelo Rei(que nasceu em uma manjedoura) determina que se exterminem todas as crianças. Hoje o Sistema Extermina (morrem por dia, em média, 54 jovens vítimas de homicídio no Brasil e ainda vale lembrar que um estudo inédito divulgado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos estima que 33.504 adolescentes brasileiros serão assassinados em um período de sete anos, que vai de 2006 a 2013.) a Juventude não permitindo que ela seja protagonista de sua Própria historia.

É este o tempo da “chegada” de um novo entusiasmo em defesa da vida da juventude, este tempo Litúrgico de “chegada” (e de partida para missão) é o tempo do nosso Deus-que-Vem em defesa de seu povo (de sua juventude que esta oprimida e morre) é o tempo da Justiça e da Paz como nos diz o Papa Bento XVI.

Que este período propicio de meditação da “chegada” de Cristo como um indefesso que nasce no meio dos pobres e é perseguido com violência e foge do extermino, seja o nosso tempo de Chegada(partida) para a resistência contra os que desfrutam da Morte. Que o Deus-que-Vem permaneça em nosso meio nos animando a anunciar e a denunciar as opressões que Ele mesmo experimentou.



Rodrigo Szymanski

22/11/11

Cristo segundo o Santo Sudário, muito interessante




Medite neste crucifixo!

Jesus Crucificado segundo o Santo Sudário: impressiona a ferida do ombro - esmagado pelo peso dos nossos pecados; a abertura feita pela lança e as feridas que não pouparam nada. "Minha alma está triste até a morte" (Mat 26,38).


"Então não podestes vigiar uma hora comigo..." (Mat 26,40)




Professor faz Crucificado seguindo os dados do Santo Sudário

Prof. Juan Manuel Miñarro explica seu trabalho
O escultor espanhol e catedrático da Universidade de Sevilha, Juan Manuel Miñarro estudou durante dez anos o Santo Sudário de Turim.

Como resultado esculpiu um Crucificado que, segundo o artista, seria uma reprodução científica do estado físico de Nosso Senhor Jesus Cristo depois de sua morte.

O autor não visava provar a existência de Jesus de Nazaré, mas destacar os impressionantes acertos anatômicos constatados no estudo científico do Santo Sudário.

O professor Miñarro disse à BBC Brasil que, embora tenha privilegiado a “exatidão matemática”, “essa imagem só pode ser compreendida com olhos de quem tem fé”.

“A princípio, ela pode chocar pelo realismo, mas ela reproduz com fidelidade a cena do Calvário”, completou. Miñarro levou mais de dois anos para concluir sua obra.

Jesus Crucificado segundo o Santo Sudário:
estreita concordância com as imagens tradicionais
O escultor não trabalhou só. Ele presidiu o trabalho de um grupo de cientistas que levaram adiante uma investigação multidisciplinar do Sudário de Turim.

O crucificado é o único “sindônico” no mundo, pois reflete até nos mais mínimos detalhes os múltiplos traumatismos do corpo estampado no Santo Sudário.

A imagem representa um corpo de 1,80 metros de altura, de acordo com os estudos no Sudário feitos pelas Universidades de Bolonha e Pavia. Os braços e a Cruz formam um ângulo de 65 graus.

A Coroa de Espinhos tinha forma de casco, cobrindo toda a cabeça, e foi feita com jujuba “ziziphus jujuba”, uma espécie de espinheiro cujas agulhas não se dobram.

A pele apresenta exatamente o aspecto de uma pessoa morta há uma hora. O ventre aparece inchado
por causa da crucifixão.

O braço direito aparece desconjuntado pelo fato do crucificado se apoiar nele à procura de ar durante a asfixia sofrida na Cruz.

Coroa de espinhos segundo o Santo Sudário
O polegar das mãos está virado para dentro, reação do nervo quando um objeto atravessa a munheca.

A escultura reflete também a presença de dois tipos de sangue: o vertido antes da morte e o derramado post mortem. Também aparece o plasma da ferida do costado, de que fala o Evangelho.

A elaboração destes pormenores foi supervisionada por hematologistas. A pele dos joelhos está aberta pelas quedas e pelas torturas.

Há grãos de terra incrustados na carne que foram trazidos de Jerusalém.

As feridas são típicas das produzidas pelos látegos romanos, que incluíam bolas de metal com pontas recurvadas para rasgar a carne.

Não há zonas vitais do corpo atingidas pelos látegos porque os verdugos poupavam essas partes para que o réu não morresse na tortura.

Foram necessários 10 anos de estudo
A maçã do rosto do lado direito está inchada e avermelhada pela ruptura do osso malar.

A língua e os dedos do pé apresentam um tom azulado, característicos da parada cardíaca.

Por fim, embaixo da frase em hebraico “Jesus Nazareno, rei dos judeus”, a tradução em grego e em latim está escrita da direita para a esquerda, erro habitual naquela época e naquela região.

A escultura esteve exposta na igreja de São Pedro de Alcântara, Córdoba, Espanha, e saiu em procissão pelas ruas da cidade durante a Semana Santa.

Com os mesmos critérios e técnicas, Miñarro está criando outras imagens que representam a Nosso Senhor em diferentes momentos de sua dolorosa Paixão.


Isaías 53


Cristo de Miñarro venerado em igreja,
São Pedro de Alcântara, Córdoba, Espanha
“Ele subirá como o arbusto diante dele, e como raiz que sai de uma terra sequiosa; ele não tem beleza, nem formosura; vimo-lo, e não tinha aparência do que era, e por isso não tivemos caso dele.

“Ele era desprezado, o último dos homens, um homem de dores; experimentado nos sofrimentos; o seu rosto estava encoberto; era desprezado, e por isso nenhum caso fizeram dele.

“Verdadeiramente ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas, e ele mesmo carregou com as nossas dores; nós o reputamos como um leproso, como um homem ferido por Deus e humilhado.

“Mas foi ferido por causa das nossas iniqüidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e nós fomos sarados com as suas pisaduras.” (53,
2-5).


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A tirania da beleza‏

BAIXE AQUI

Segue um otimo texto do Padre Alfredinho.

"Estamos chegando das velhas senzalas,

estamos chegando das novas favelas,
das margens do mundo nós somos,
viemos dançar".
           (MISSA DOS QUILOMBOS)*

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Eucaristia e o Amor Primeiro - por dom Luciano Mendes‏

 
BAIXAR AQUI
 
Veja uma boa reflexão sobre o Corpo de Deus, de 1999 de Dom Luciano

Abraços e uma boa celebração

ESPIRITUALIDADE, TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO & JUVENTUDE

Pejoteiras e pejoteiros, paz e bem. Como eu havia me proposto a escrever, está aí a minha primeira contribuição sobre Espiritualidade da Libertação e Teologia da Libertação no universo juvenil.
Aguardo as críticas construtivas de vocês.
Autorizo a divulgação do texto abaixo nos blogs e listas da PJ.
Abreijos.
Emerson Sbardelotti
 
ESPIRITUALIDADE, TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO & JUVENTUDE
 
No princípio:
 
         O objetivo principal deste texto e dos outros que virão é explicar, é esclarecer, para a juventude que participa das comunidades eclesiais de base o que é a Espiritualidade da Libertação (EdL) e a Teologia da Libertação (TdL), quem são seus principais teóricos e pensadores, e como elas e eles ajudam na caminhada e na construção da Civilização do Amor.
         A EdL e a TdL se originaram da e na experiência das primeiras comunidades cristãs na divulgação do Evangelho do Moreno de Nazaré, passando pela iniciativa da Ação Católica Geral e Especializada até se tornarem um movimento extraordinário na segunda metade do século XX na América Latina. Começam a germinar de fato nos desdobramentos do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962 – 1965), com a abertura da Igreja Católica à modernidade, se afirmavam termos como: a Igreja dos Pobres, aggiornamento, sinais dos tempos. O grande nome do Concílio Vaticano II foi o arcebispo de Recife e Olinda: D. Hélder Pessoa Câmara, que alguns anos antes havia criado a CNBB e o CELAM; o arcebispo não fez nenhum discurso, seu trabalho era de articulação e organização nos bastidores, ou melhor, nas catacumbas. D. Hélder foi um dos mentores do Pacto das Catacumbas, uma declaração de extrema beleza, ternura e despojamento, assinado por bispos, que tinham como maior objetivo servirem humildemente, sem nenhuma pompa, honrarias ou benefícios o Povo Santo de Deus.
         Na América Latina, o ateísmo nunca foi o principal problema. O problema de ontem e de hoje é a pobreza institucionalizada (econômica e politicamente), que é uma afronta ao Deus Abbá de Jesus de Nazaré; a vivência religiosa irá exigir nos anos seguintes ao Concílio uma gradual e radical transformação da sociedade.
         Os novos ares soprados pelo Concílio chegaram na América Latina e deram frutos saborosos com a Conferência dos Bispos em Medellín (1968 – Colômbia). Estava jogada no chão adubado com sangue de Nossa América, as sementes da EdL e da TdL.
         Em 1971, o padre Gustavo Gutiérrez escreve a obra fundante: Teologia da Libertação – Perspectivas; dando início a uma série de novos e intensos escritos a partir e sobre a EdL e a TdL. Do lado protestante, os primeiros escritos nesta direção brotam do coração de Rubem Alves. Em 1972, o franciscano Leonardo Boff escreve Jesus Cristo Libertador, iniciando no Brasil todo o debate em torno da EdL e de sua TdL. Em 09 de abril de 1986, o Beato João Paulo II escreveria a CNBB uma carta com estas palavras: “Na medida em que se empenha por encontrar aquelas respostas justas – penetradas de compreensão para com a rica experiência da Igreja neste País, tão eficazes e construtivas quanto possível e ao mesmo tempo consonantes e coerentes com os ensinamentos do Evangelho, da Tradição viva e do perene Magistério da Igreja – estamos convencidos, nós e os Senhores, de que a Teologia da Libertação é não só oportuna mas útil e necessária. Ela deve constituir uma nova etapa – em estreita conexão com as anteriores – daquela reflexão teológica iniciada com a tradição apostólica e continuada com os grandes padres e doutores, com o magistério ordinário e extraordinário e, na época mais recente, com o rico patrimônio da Doutrina Social da Igreja, expressa em documentos que vão da Rerum novarum à Laborens exercens.”
 
Emerson Sbardelotti
Estudante de Teologia, Historiador, Turismólogo
Coordenador Teológico do Instituto João Maria Vianney  - Teologia para Leigos e Agente de Pastoral Leigo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida – Cobilândia, Vila Velha - ES
 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Vale a pena

Ágape: amor incondicional, o amor generoso, o amor sem limites.
MENSAGEM



Vale a pena


Vale a pena a tentativa e não o receio.
Vale a pena confiar e nunca ter medo.
Vale a pena encarar e não fugir da realidade.
Ainda que eu fracasse, vale a pena lutar.
Vale a pena discordar do melhor amigo e não apoiá-lo em suas atitudes erradas.
Vale a pena corrigi-lo.
Vale a pena encarar-me no espelho e ver se estou certo ou errado.
Vale a pena procurar ser o melhor e aí...
Vale a pena ser o que for.
Enfim. Vale a pena viver a vida, já que a vida não é tudo o que ela pode nos dar.
Mas sim tudo o que podemos dar por ela, no Ágape.
Um forte Ágape!!!!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Você me daria a mão ?‏

Você me daria a mão?


Para quem sempre acompanha este blog, segue uma “curiosidade”: poucos foram os artigos que eu escrevi que não tiveram a inspiração de uma pessoa, situação ou grupo. Alguns leram e logo se identificaram, outros sabiam que era deles os exemplos que eram dados, mais alguns ainda viveram ou ouviram dizer das situações ali relatadas. Pois bem, o texto de hoje não foge a esta regra. A exceção é que eu hoje eu vou apresentar a motivação por trás deste artigo.

Recebi esta semana um e-mail relatando que mais uma equipe diocesana de PJ neste país havia sido convidada a se desmanchar depois de algum tempo de caminhada. Vivi na pele estes mesmos sentimentos e sei o quanto é difícil este momento para os companheiros e companheiras de lá.

Este mesmo e-mail me trazia o questionamento do que era possível se fazer em casos assim. Há tantas dioceses, paróquias, comunidades com suas lideranças jovens e pejoteiras sendo “convidadas” a saírem. Já participei de vários momentos de análise desta conjuntura pastoral. Muitos destes momentos apontavam para um novo modelo de Igreja que era mais centralizador e menos pastoral. Outras análises apontavam para algumas posturas das próprias lideranças pejoteiras que inviabilizavam o diálogo com o clero e com os movimentos.

Não quero colocar se a culpa é desta ou daquela postura, se está com os jovens ou com o clero. Há tantas variáveis que podem ser colocadas aqui, que acabaria por tornar infindável esta discussão. Gostaria de tratar de um único aspecto, que não resolve o problema, mas que ajuda a clarear alguns possíveis rumos.

Entra agora o segundo personagem que motivou este artigo: os companheiros do projeto “Eu sou + 7 x 7”, promovido pelo Instituto Paulista de Juventude. Boa parte deste pessoal veio da mesma experiência de “convite para sair” da estrutura diocesana. Toda a turma sofreu, rezou, meditou, levantou, sacudiu a poeira e entrou na batalha por um novo agir pastoral.

Foi doloroso, mas sair da estrutura diocesana e hierárquica que fazemos entre as instâncias eclesiais deu uma nova luz a respeito deste agir. Antes, tínhamos um olhar segmentado e departamentalizado (se é que essa palavra existe) sobre representações e sobre nossa própria organização. Não era culpa nossa. A estrutura na qual estávamos inseridos também era assim: do grupo vai para a PJ da paróquia, daí para a PJ do setor, daí para a PJ da diocese, daí para a PJ da sub-região, daí para a PJ regional, daí para a PJ nacional. Hierarquia pura. Cada “PJ” no seu departamento.

Há tempos já sabíamos que a solução para fugir deste esquema piramidal era uma organização em redes, que extrapolava a dimensão de paróquia, setor ou diocese. Onde tivesse um grupo precisando de apoio, outro grupo, independente se da mesma localidade, poderia apadrinhá-lo. As representações eram por núcleos, não pela estrutura que aquela localidade já fazia.

Tudo aquilo era muito bonito, mas não se encaixava na nossa prática pastoral. Estávamos, como eu já disse, com a cabeça na organização eclesial, não na organização em rede. Mas isto tudo mudou quando começamos a trabalhar no IPJ. Ele não está amarrado às estruturas. Passamos a lançar as sementes e a cuidar desta rede de relacionamentos e de pastoral.

Tem dado certo. Tenho aprendido muito. Não importa se a menina é lá do Valo Velho ou se o garoto é de Ermelino Matarazzo e nem se o assessor vem lá da Baixada Santista ou se nos reunimos num sítio em Jarinu. Não. Nós nos sentimos PJ e enquanto PJ nós realizamos este trabalho pastoral em rede. A situação que percebemos hoje pede que nossa proposta seja esparramada, conhecida e vivida. Pede que grupos sejam formados e bem acompanhados. Pede que não nos deixemos derrotar pelo sentimento de tristeza, mas que levantemos a cabeça e continuemos o trabalho.

Queridos e queridas jovens desta e de tantas dioceses, paróquias e grupos que foram convidados a se retirar: peço que não desanimem. Vocês não estão sozinhos e sozinhas. Há muita juventude que precisa conhecer a PJ e há muita juventude disposta a apresentá-la. Tanto eu quanto vocês nos encantamos um dia com esta proposta. Não deixemos este amor primeiro findar. Há uma canção da Bruna Caram que as minhas amigas do IPJ me ensinaram a gostar e a refletir que se chama “Palavras do coração”. Diz assim alguns de seus versos:

“Sonhos, aventuras, juras, promessas, dessas que um dia acontecerão. Você me daria a mão?”. Todos nós já vivemos estas experiências de aventuras, já partilhamos sonhos, promessas e juras. Somos um povo de esperança, mas não de uma esperança solitária. Pejoteiro não vive sozinho. Pejoteiro sabe que para viver este sonho novo, esta promessa de um novo Reino, é preciso que estejamos juntos. É preciso que nos demos as mãos. É preciso mão com mão companheirada.

Você me daria a mão?
Rogério Oliveira - Assessor da PJ / Regional Sul I

UNS OS PÉS DOS OUTROS‏

UNS OS PÉS DOS OUTROS
Queridos,
confesso para vocês que foi uma descoberta também para mim. Não tinha dado muita importância àquela frase que Jesus pronunciou logo depois o lava-pés dos discípulos: "também vocês devem lavar os pés uns dos outros".
Uns dos outros. Reciprocamente.
Isto significa que a primeira atenção, nós devemos manifestá-la dentro das nossas comunidades, servindo os irmãos e deixando que eles nos sirvam.
Exercitar-se como Igreja a lavar os pés de quem é marginalizado de todos os banquetes da vida, é coisa boa.
Mas antes dos deficientes, dos vagabundos, dos oprimidos, de quem está cotidianamente fora do cenáculo, vêm os quem partilham conosco a casa, a mesa, a igreja.
Só quando as nossas mãos terão secado os tornozelos dos nossos irmãos, então poderão massagear as batatas dos outros sem as arranhar. E só quando uma mão amiga terá lavado os nossos calcanhares, eles então poderão se mover em busca dos últimos sem se cansar.
Precisamos retomar o valor da reciprocidade do lava-pés que é o ensinamento mais forte escondido neste gesto de Jesus.
Até agora consideramos este gesto legal, que choca. Pelo contrário, a frase "uns os outros" nos leva a compreender que o jarro, a bacia e a toalha, precisam ser usados dentro do Cenáculo. Não existe uma eucaristia dentro e um lava-pés fora. Ambos são operações que se completam e que devem  ser colocadas em prática ali onde os discípulos de Cristo se reúnem e vivem.
Concluindo: jarra, bacia e toalha devem se tornar peças importantes dentro toda experiência comunitária. Com a esperança que não fiquem só como peças de enfeite.
O que significa tudo isso para nós?
Não se trata de ser puros. Também os apóstolos na última ceia o eram: "vocês são limpos" disse Jesus. O problema é ser servo. Porque os homens aceitam a mensagem de Cristo, não tanto de quem experimentou a ascética da pureza, quanto de quem viveu as tribulações do serviço.
Longe de ser um gesto sentimental para guardar no álbum dos bons exemplos!
A lógica do lava-pés é revolucionaria. Ao ponto que tem gosto de hipocrisia quando uma associação eclesial ou uma comunidade dividida por brigas e rivalidades, pretende organizar o lava-pés para os outros. Não faz sentido!
O serviço aos últimos de fora não purifica ninguém quando se pula a passagem obrigatória do serviço aos últimos de dentro.
Ou melhor, se torna condenação até para os que acreditam ser suficiente a reconciliação sacramentai e • não dão valor para a grande reconciliação com a vida que se alcança lavando os pés do próximo mais próximo.
"Uns os outros". A partir das famílias que não podem se dizer cristãs se não assumir a lógica da reciprocidade. Porque se o esposo morre de vontade de lavar os pés dos dependentes químicos, a esposa se orgulha de servir os idosos, a filha mais velha quer ser voluntária no 3° mundo, mas depois os três não se olham na cara quando estão em casa, o deles é só um contra testemunho penoso que prejudica até os destinatários do seu serviço aparentemente generoso.
Falei o suficiente para que a repetição ritual do lava-pés que celebraremos numa comoção geral, nos dê uma vontade imensa de serviço, de acolhida, de paz para com todos. A partir dos mais próximos. E nos faça entrar em crise mais do que em êxtase. Já que somos tão lentos para nos converter, o jarro está exposto ao sacrilégio não menos da mesma Eucaristia.

Dom Tonino Bello

segunda-feira, 14 de março de 2011

MÍSTICA, ESPIRITUALIDADE E LITURGIA: Um olhar a partir da juventude‏

 

MÍSTICA, ESPIRITUALIDADE E LITURGIA:
Um olhar a partir da juventude

Espiritualidade tem a ver com a palavra “Espírito”, para nós cristãos entendido como uma maneira de se referir a Deus, no sentido da terceira Pessoa da Trindade. Há que se superar a idéia, muito fortalecida na história, de que espírito é algo que se opõe à matéria e que têm vocações radicalmente diferentes, de maneira que devem ser separados ou caminham para a separação total. Evidente que Espírito alude àquilo que não deve simplesmente ser identificado com a matéria, a “carne”. Deve ser antes entendido como aquilo que plenifica o corpo, tornando-o mais que sua materialidade.
A partir de Jesus Cristo, compreendemos melhor o sentido de espiritualidade, o que chamamos de espiritualidade cristã. O apóstolo Paulo define bem: espiritualidade é um viver segundo o Espírito (Gl 5, 16-26; Rm 8, 5-13). Viver segundo o Espírito é uma existência aberta para Deus, deixando que Ele seja referência fundamental da pessoa. Assim a espiritualidade torna-se uma opção fundamental de vida do ser humano, na qual ele abraça uma série de valores e realidades (vindas de Deus) que estão no horizonte de sua vida, sustentam-na e, sobretudo, se manifestam no dia a dia. Portanto, espiritualidade não se trata apenas de algumas “práticas espirituais”, mas sim de uma verdadeira perspectiva de vida, uma orientação última de toda existência humana, seus sonhos, atitudes, maneira de se relacionar, de administrar as coisas, de formar opiniões e assim por diante. Manifesta-se como uma maneira de viver, seja o todo da vida e a vida toda.
Viver segundo o Espírito é também, acolhendo a Palavra de Deus, tornar-se um sinal Dele no mundo, testemunhando sempre seu projeto, o Reino de Deus, a Civilização do Amor. Por isso a espiritualidade é um não conformar-se aos esquemas injustos deste mundo, mas saber discernir os projetos (Rm 12,2). Fechar-se para Deus é viver segundo a “carne”; ou seja, deixar-se levar pelos instintos egoístas que geram todo o tipo de morte. Fechar-se para Deus é deixar-se guiar somente por si mesmo, ou então pelos ídolos da televisão, do mercado e tantos outros.
Na espiritualidade cristã, a liturgia ocupa lugar importante. Ela é entendida como o grande serviço de Cristo em favor da humanidade. Desde então a ação litúrgica da comunidade cristã deve expressar, por um lado, louvor e glorificação a Deus e, por outro, a caridade e a solidariedade com os irmãos. Liturgia é fundamentalmente ação, um agir comunitário, celebrativo, através de ritos, símbolos que expressam a salvação oferecida por Deus.
A liturgia é vista, principalmente a partir do Conc. Vaticano II, como fonte e cume da ação da Igreja (SC 10). Por isso mesmo a liturgia supõe o seguimento a Jesus, a espiritualidade cristã, sendo dela, ao mesmo tempo, expressão e alimento. Neste sentido, a espiritualidade cristã é mais ampla que a liturgia, e não se pode dizer que se “faz” espiritualidade somente no exercício da liturgia.
Disso podemos dizer que a espiritualidade é o modo de viver do cristão, aberto para Deus no seguimento a Jesus Cristo. Essa espiritualidade tem de se expressar no seu dia a dia, no conjunto de sua vida, e não somente em alguns momentos previstos. A liturgia, como ação comunitária de louvor a Deus e solidariedade fraterna, deve resultar em momentos especiais de se celebrar a obra salvadora de Deus em Cristo. Deve, portanto, se constituir em momentos fortes de espiritualidade, contudo não desligados da realidade global da pessoa e da sociedade, pois tudo se constitui desafio da espiritualidade cristã, que é essencialmente encarnada.
O documento da CNBB “Evangelização da Juventude”, em seu nº 119, assim define a mística juvenil: centrada em Jesus Cristo e no seu projeto de vida; acolhedora do cotidiano como lugar privilegiado do crescimento e santificação; alegre e cheia de esperança; marcada pela experiência comunitária onde se medita a Palavra de Deus e se celebra a Eucaristia; apoiada no modelo do “sim” de Maria e na certeza de sua presença materna e auxiliadora; conduzida pelo compromisso com o Reino, traduzida no compromisso com a transformação social a partir da sensibilidade diante do sofrimento do próximo.
Isso reforça uma dupla verdade: mística sem militância (desencarnada) é vazia e não cristã; militância sem mística não se sustenta. Ambas integradas resultam na autêntica espiritualidade cristã, entendida como orientação da vida de acordo com a vontade de Deus.

Pe. Marcelo Samaroni Spézia
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Espiritualidade e mística na Pastoral da Juventude

 

Descrição: C:\Pastoral PJ\PJNacionalRegional\Ro\Logo_pj_palavras.jpgEspiritualidade e mística na Pastoral da Juventude

“... os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós não estais na carne, mas no Espírito, se é verdade que o Espírito de Deus habita em vós, pois quem não tem o Espírito de Cristo não pertence a Ele. Se, porém, Cristo está em vós, o corpo está morto, pelo pecado, mas o espírito é vida, pela justiça. E se o Espírito daquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos dará vida também a vossos corpos mortais, mediante o seu Espírito que habita em vós...”
(Rm 8, 8-11)

O termo espiritualidade vem do latim e quer dizer daquilo que é da alma, amor ao próximo. Muitas vezes falamos ou nos deparamos com pessoas que dizem: “Nossa, essa pessoa tem uma grande espiritualidade!”, isso quer dizer alguma coisa, tal como o próprio significado da palavra, que essa pessoa deixa transparecer sua espiritualidade.
Falar de espiritualidade na PJ não é tarefa fácil. Quantas vezes nos deparamos em nossas comunidades frases do tipo: “A PJ não reza” ou “A PJ não tem espiritualidade”.
Engana-se quem fala isso, pois a pastoral da juventude se diferencia de outras organizações e/ou movimentos. A espiritualidade dela se dá de forma vivenciada, encarnada e libertadora.
Temos como exemplo o seguimento de Jesus de Nazaré, através de sua pedagogia do ir ao encontro do povo oprimido. Dessa forma vamos ao encontro da juventude em suas diversas realidades e, em especial, na realidade dos marginalizados e oprimidos.
Algumas vezes encontramos grupos que realmente não tem clareza sobre espiritualidade seja com excesso de oração ou não deixam isto transparecer em suas atitudes e práticas. Já afirmava Dom Pedro Casaldáliga no livro “Juventude com espírito”, “jovem ou grupo de jovens que não rezam são uns trastes”, pois se torna claro que não vivenciam a pedagogia de Jesus Cristo e a metodologia da PJ. Por outro lado, temos uma realidade eclesial de forma exagerada de exercer ou vivenciar a espiritualidade. Há um apelo ao sagrado, e uma forma de espiritualidade individualista, onde o outro não tem muita importância e há a necessidade maior de satisfazer os desejos próprios, uma “espiritualidade de trocas ou pedinte”.
“O desempenho da missão evangelizadora pede, de cada um de nós, uma profunda vivencia de fé, fruto de uma experiência pessoal de encontro com a pessoa de Jesus Cristo, em seu seguimento. Nossa conversão pessoal nos possibilita impregnar com uma firme decisão missionária todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais [...] de qualquer instituição da Igreja, exigindo nossa conversão pastoral, que implica escuta e fidelidade ao Espírito, impelindo-nos à missão e sensibilidade às mudanças socioculturais, animada por uma espiritualidade de comunhão e participação” (Cf. DGE, 8).
Dessa forma a PJ toma como exemplo a pedagogia de Jesus que teve seus momentos com grupos (os discípulos) e com a comunidade (Israel), o povo que era escravizado pelo Império Romano. Devemos fazer a reflexão de o que hoje qual é o império que nos escraviza? Essa dinâmica de Jesus nos provoca a colocar em prática a missão profética por um mundo novo e a construção do Reino de Deus no meio de nós.
Viver uma espiritualidade de grupo, encarnada e libertadora é um grande desafio também hoje, pois vivemos num contexto em que o individualismo e  o neoliberalismo são fortes e o/a outro/a acaba não tendo muita importância.  Até mesmo a proposta de Reino acaba sendo confundida, pois acaba se tendo a idéia de que o Reino é algo distante de nós.
Com criatividade pastoral, é importante apresentar e testemunhar Jesus Cristo dentro do contexto em que o jovem vive hoje e como resposta às suas angústias e aspirações mais profundas. “Devemos apresentar Jesus de Nazaré compartilhando a vida, as esperanças e as angústias do seu povo”. Um Jesus que caminha com o jovem, como caminhava com os discípulos de Emaús, escutando, dialogando e orientando (Cf. Doc. 85, 54).
Assim a espiritualidade da Pastoral da Juventude nos impulsiona a estar a caminho tal como a exemplo do Êxodo, quando o povo de Deus foi liberto da escravidão e caminhou pelo deserto com seus grandes desafios até sua terra.  Hoje,  também nos colocamos a caminho pela libertação da Juventude das opressões, a caminho do Reino.
A exemplo dos primeiros cristãos, descrito em Atos dos Apóstolos, usamos a metodologia dos pequenos grupos, pois facilita  partilhar a vida, a fé e estar em comunhão fraterna, a rezar e estar juntos/as na construção do Reino.
O grande modelo de seguimento é também Maria. Nela descobrimos todas as características do discipulado: a escuta amorosa e atenta (cf. Lc 1,26-38), a adesão à vontade do Pai (cf. Lc 1,38), a atitude profética (cf. Lc 1, 39-55) e a fidelidade a ponto de acompanhar seu filho até à cruz (cf. Jo 19,25-27) e continuar sua missão evangelizadora (cf. At 2). (Cf. Doc. 85, 58)
Dessa maneira a exemplo de Maria também nos colocamos a serviço, acolhendo as angústias dos/as jovens, de forma a aderir à construção do Reino numa atitude profética e missionária, defendendo a vida dos/as jovens.
A palavra mística vem do grego e quer dizer mistério, busca de comunhão com a identidade com consciência, ou seja, para os cristãos o ápice de nossa fé é a eucaristia, mistério revelado na celebração da páscoa de Jesus. Celebramos sua morte vitoriosa na ressurreição, a ceia fraterna que nos alimenta para a luta, para continuarmos seu projeto de construção do Reino.




Texto de Thiago Oliveira Rodrigues
Revisão: Ir. Cleofa Marlisa Flach, IDP








Referencias Bibliográfica

Documento 87 – Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2008-2010 CNBB

Documento 85, Evangelização da Juventude. CNBB

Juventude com Espírito. Pedro Casaldáliga -  Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia.







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